Anticoncepcionais: porquê eu abandonei

Olá, pessoas maravilhosas!

Hoje estou aqui pra falar sobre um assunto muito, muito sério: anticoncepcionais.

Todo mundo sabe (ou deveria saber) que, pra evitar a gravidez, há vários métodos contraceptivos, orais e não orais. O anticoncepcional (ou pílulas contraceptivas orais) são uma mistura de dois hormônios chamados progestina e estrogênio, e creio que este seja um dos métodos mais populares – assim como o preservativo/camisinha.

Eu decidi fazer esse post pois há algum tempo vi a notícia de que a Anvisa suspendeu 13 lotes da marca Gynera, porque estavam representando um risco à saúde e sei lá mais o que (leia a matéria completa aqui). Fiquei assustada, né, pois embora eu sempre tenha usado da marca Adoless, muita gente usa esse Gynera. Então venho contar a minha experiência e o que eu senti durante os cinco anos tomando anticoncepcional e os meses que se seguiram ao meu abandono.

Bem, eu comecei a tomar o Adoless em outubro de 2011. Não passei no ginecologista antes de começar a tomar, o que é muito errado. Muitas mulheres têm problemas com os anticoncepcionais por não saberem se seu corpo reagirá bem a ele. O ideal é fazer exames pra saber qual o melhor remédio pra você, além de saber se você pode ter trombose ou outras doenças causadas por essa bomba de veneno que somos obrigadas a ingerir.

A princípio foi tudo ok. A minha menstruação sempre foi bem regulada, nunca tive cólicas e nem espinhas, então nesse sentido não mudou muito. Por anos meu fluxo foi bem bom, nenhum problema mesmo.

Mas algumas coisas que aconteciam por causa do remédio só vieram à tona quando eu parei de tomá-lo, pois foi quando percebi a diferença sem ele.

Eu parei de tomar o anti em outubro ou novembro do ano passado, não lembro exatamente quando foi. Eu parei pois estava me sentindo extremamente incomodada, além de notar uma diferença enorme no meu fluxo menstrual – de um fluxo regular estava passando pra quase nada, e eu nunca tive pretensão de não menstruar, essa nunca foi a minha vontade. Eu sentia mal estar toda vez que ia tomar a pílula – acho que aqui era porque eu não queria mais tomar, talvez nem fosse por causa do remédio mesmo. Eu estava muito inchada, embora por anos não tivesse experimentado essa sensação de inchaço. Isso sem contar na minha líbido que simplesmente não existia mais.

A primeira mudança que senti foi no meus enjoos. Eu tenho hernia de hiato, então qualquer coisa oleosa/temperada/forte que eu coma me dá mal estar, mas com o remédio eu passava muito mais mal. Se hoje eu como um cachorro quente e tenho uns incômodos, antigamente seria quase insuportável. Depois disso veio a diferença na líbido, pois comecei a me sentir (quase) como um ser humano normal. Nos primeiros dois meses seguintes meu fluxo continuou baixo e regulado, provavelmente porque meu corpo ainda estava sob as substâncias que ingeri por muito tempo. Com o tempo a menstruação desregulou completamente, e essa é a única coisa que sinto falta do anti. Tem mês que não desce, tem mês que desce duas vezes. É bem chatinho, mas faz parte, né? Agora minha pele está mudando também, tenho tido algumas espinhas – no geral só perto da menstruação -, mas nada fora do normal. Também tenho tido um pouco de cólica, mas é bem suportável – sou muito sortuda nessa parte da minha vida.

No geral, só melhoras sem o anticoncepcional.

Agora estou estudando colocar o DIU (Dispositivo Intra-Uterino), que é um contraceptivo em formato de T que fica no útero e impede a passagem de espermatozoides. Eu quero aplicar o de cobre, que não contém hormônios e dura até 10 anos, mas há também a opção com hormônios. Ambos devem ser aplicados por um médico ginecologista e pra isto deve-se fazer os exames pra saber se você pode usá-lo também. Se quiser, leia mais sobre isso AQUI. Até lá, tenho usado caminha e eventualmente tomado chá de canela quando a menstruação atrasa.

Conversei com algumas amigas sobre o assunto e todas – todas – se sentem desconfortáveis em relação ao anticoncepcional, e até minha mãe e irmã estão inclusas nesta lista. Recentemente estamos vivendo uma onda de “consciência” sobre esse assunto, onde mulheres mostram suas histórias à outras mulheres. Creio que minha decisão de parar de tomar também se deve a essas histórias, pois é difícil não ficar apavorada com tudo o que essas mulheres passaram/passam. Basta uma rápida pesquisa no Google e você encontrará alguma coisa, com certeza.

Espero que, num futuro próximo, o corpo da mulher seja discutido de maneira racional e que, principalmente, tenhamos autonomia sobre ele. Há muitas doenças que afetam somente mulheres que são pouco discutidas ainda nos dias de hoje, e isso é só uma amostra de que os homens estão realmente interessados somente em seu próprio bem estar – temos a endometriose, por exemplo, que é extremamente dolorosa e afeta muitas mulheres no mundo todo, mas que não tem cura e muitas vezes as mulheres com endo demoram anos sem saber o que tem por falta de diagnostico. Estamos em 2017 e ainda vemos homens dizerem que o melhor pro corpo da mulher é uma cola pra evitar que elas menstruem (é sério, leia AQUI) ou homens desistindo de anticoncepcional masculino por ter efeitos semelhantes ao feminino – mesmo que em menor escala (leia AQUI). É tão absurdo que só me resta rir. Vale deixar a reflexão aqui: o homem é fértil todos os dias do mês, enquanto a mulher é fértil por menos de uma semana. Por que, então, somos nós que arriscamos nossa saúde? E vale ainda acrescentar este tweet do pensador e filósofo Mr. Catra (hahaha):

Qual a sua história com o anticoncepcional? Conta pra mim nos comentários, vamos trocar figurinhas e espalhar pra todo mundo o mal que esses pequenos comprimidos fazem conosco.

Até o próximo post!

A.

8 Replies to “Anticoncepcionais: porquê eu abandonei”

  1. Que bom que você pôde parar de tomar anticoncepcional e está se sentindo bem com isso. Eu infelizmente preciso tomá-los mesmo não tendo vida sexual ativa porque tenho ovário policístico. Mó bosta… Mas quem sabe não inventem um método melhor de controlar essa doença futuramente?

    1. Eu fico muito inconformada que essas doenças não sejam mais pesquisadas e discutidas. A única alternativa pra diversas doenças é o anticoncepcional e isso não faz muito sentido pra mim. Mas espero que isso te ajude e que te deixe bem! Quem sabe futuramente encontrem outra opção, torcendo muito aqui!

  2. Minha menstruação nunca foi regulada (menstruei com 9 anos ). Quando comecei a namorar resolvi juntar o útil ao agradável né, anticoncepcional para regular a menstruação e para evitar babys. Desde que comecei com o remédio senti ficar mais inchada, muitas dores de cabeça (agora isso tá mais controlado), libido caiu um pouco também, mas tbm minha pele melhorou, minha menstruação está suuuuper controlada e não sinto cólicas absurdas como antes (antes eu precisava ir ao hospital tomar injeção na veia por causa da dor).

    Acredito que usar ou não usar a pílula anticoncepcional tenha seus prós e contras. Com certeza não gostaria de sentir esses contras, mas os prós estão em vantagem comigo, hahahaha.

    Já pensei em parar, mas sempre lembro como era antes e aí desisto.

    1. Nossa, baby, fico feliz que você esteja se dando bem com o anti! Espero que continue assim mesmo, se tá te fazendo bem tem que continuar mesmo!

  3. Simplesmente amei, continuaria lendo com certeza!!!!

    1. Waaaaaaaaaaaaaaa obrigada Sa <3

  4. Oiiieeee
    Ameiii as dicas. Meus parabéns! Esclareceu algumas duvidas que tinha rs Muito obrigada! Vou continuar acompanhando por aqui.

    1. Oi!
      Que ótimo que sanou algumas dúvidas! Fico feliz!
      Beijão

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