ME ANIME: KOE NO KATACHI

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Watashi wa Usagi!

Se você acompanha meus posts sobre doramas já sabe quem sou eu, mas se por acaso não… Vamos nos conhecer agora! Como eu disse ali em cima, eu sou a Usagi e é um prazer te conhecer, leitor! Esse post é meio diferente dos quais estou acostumada a fazer, mas como um bom otaku fedido eu não podia deixar de escrever sobre animes não é? HAHAHA Este é o primeiro de uma nova série de posts que eu e a Alana faremos toda quinta-feira aqui no blog, então fiquem ligados!

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[ATENÇÃO ESSE POST CONTÉM LEVES SPOILERS!]

Are you ready? GO!

Bom, esse filme envolve muito mais que bullying – eu acho que muitas pessoas que leram o mangá ou só assistiu o filme mesmo (como eu) focou muito no assunto bullying que, claro, é sim um dos temas principais, mas não é o único.

O filme nos traz a história de Shouko Nishimya, uma deficiente auditiva, que se muda para uma escola nova – ainda no fundamental. Até ai tudo flores – ou não né? Ok, Nishimya é surda e tudo que é diferente choca, certo? Então a história começa com ela tentando se enturmar e fazer o que outros alunos “normais” fazem. Ela usa um caderno pra se comunicar com os demais, mas acaba se tornando um incômodo para os colegas da classe. Shouya Ishida, um desses colegas – que, diga-se de passagem, é um tanto popular na sala por suas atitudes rebeldes -, nota o desconforto de seus amigos sobre Shouko, então começa a descontar na garota com provocações e brincadeiras. O primeiro ato é quando eles estão em uma atividade de leitura e o professor pede para Shouko ler após Ueno (outra colega de classe), em seguida é a vez de Ishida, então ele imita a voz desengonçada da garota – fica claro que é porque o professor repreendeu Ueno por não ler “corretamente”, mas não reprendeu Nishimya mesmo tendo lido quase todas as palavras de maneira errada.

Aonde eu quero chegar com isso? Toda bola de neve começa com um pequeno floco. Ishida quis fazer Nishimya pagar por uma “injustiça” feita com a sua amiga, pois segundo seu senso de justiça isso esse era o correto a se fazer. Eu quis frisar essa cena pra vocês pegarem de onde tudo começa e o motivo de ter começado. A partir desse ponto já da pra imaginar que tudo tende a piorar, e piora! HAHA – essa risada foi irônica mesmo.

Shouko muda de escola quando sua mãe descobre que ela está sofrendo bullying – só quebram 8 fucking aparelhos auditivos da garota. Vocês devem estar imaginando que, como toda vitima, Nishimya não conta para seus parentes, talvez por se sentir coagida? Não é o que eu penso da Shouko. Eu acho que ela aceita toda a situação por acreditar que mereça aquilo, ela com certeza tem depressão e vocês podem notar isso em várias partes do filme.

“Mas uma vitima de bullying não tem, consequentemente, depressão?” nem sempre, há casos e casos, mas o que estou tentando dizer é que Nishimya já tinha depressão antes de sofrer o bullying na escola. Ela é uma criança, diferente das vitimas casuais Nishimya não é ameaçada – não tem aquilo de se você contar pra alguém vai ficar pior, tanto que quando descobrem a tiram rapidinho da escola e ocorre um plot twist (como diria minha chefe) DO CACETE! – e sempre pede desculpas mesmo sendo a vítima. Não seria mais comum ela pedir ajuda pra sua mãe – entendo que alguns jovens tenham medo de falar para os pais, mas no caso de crianças, eu já acho mais incomum sendo uma fase que a gente conta a maioria das coisas pros nossos pais – ou odiar seus agressores? Claro, não é “confirmado” que a Shouko tem depressão, mas se analisarmos bem o filme, notamos que sim.

Quando Shouko Nishimya deixa escola, quem se torna o alvo de bullying é o próprio Shouya Ishida – e não eu não vou mentir pra vocês que adorei a princípio, afinal, a gente colhe o que planta né?Mas depois me senti meio mal a respeito. Shouya sente na pele tudo que Shouko sentiu, então ele cresce como um jovem retraído, isolado e com um peso enorme em suas costas.

É aí onde se apresentam os pontos cruciais desse filme. Todos julgam ser o bullying como eu disse lá em cima, mas na verdade é sobre erros, auto-condenação e perdão.

Ok, vamos por partes! Diferente do que estamos acostumados, a história já começa sendo narrada pelo lado do agressor (Ishida) e não da vítima (Nishimya), mostrando sua infância e erros do seu passado que os assombram até seus dias atuais.  A segunda parte do filme mostra um Ishida, já no ensino médio, que desenvolveu fobia social – o cara não consegue nem encarar as pessoas. Eventualmente ele procura por Nishimya para “devolver seu caderno” do fundamental, mas na real era uma forma torta de se desculpar – antes de tentar cometer um suicídio (isso é logo no começo do filme). A garota se choca ao descobrir que ele aprendeu a linguagem de sinais.

Somos humanos e, sim, vamos errar – errar feio – e ter inúmeras atitudes das quais nós não nos orgulhamos. Nesse caminho tortuoso vamos magoar e seremos magoados, isso faz parte da vida, mas o que nos torna diferentes de uma pessoa completamente ruim? O simples ato de se arrepender e admitir nossos erros.

Ninguém tá dizendo que perdoar alguém por tais atitudes é fácil, mas ver o Ishida sofrendo do próprio veneno me fez pensar, cara quantas vezes eu não desejei que as pessoas pagassem na mesma moeda? Teve seu lado bom? Claro, Ishida evolui muito como pessoa, mas também adquiriu vários probleminhas mentais por assim dizer.

Dizem que a gente aprende por bem ou a vida ensina.

Muitas vezes as pessoas sequer tentam entender a situação e se negam a aceitar que alguém pode ser bom mesmo tendo errado – não sei se você já ouviu aquela frase que ninguém muda e se “muda” é porque nunca foi daquele jeito, algo assim(?) – estamos sempre com pedras nas mãos para julgar o passado alheio, como se tivéssemos direito de fazer tal coisa. Não é louco?

“Perfeição” que deriva do latim “perfectĭo”, definições

  1. O mais alto nível numa escala de valores.
  2. Pessoa ou coisa sem defeito.
  3.  Estado ou condição de quem está livre de pecados.
  4. Não existe.

Entenderam? Ninguém conseguiu alcançar a perfeição e nem vai conseguir #GETITOVER.

Ishida aprendeu sua lição, aceitou de “bom grado” tudo de mal que lhe acontecia, afinal, estava pagando pelos seus pecados e talvez devesse pagar por sua vida toda? Alguém que já fez mal não merece ser feliz! Né? E aí vem o tópico da auto-condenação dos personagens.

Por que a auto-condenação pode ser um perigo? Às vezes se perdoar é mais difícil que perdoar alguém. Olha, pra começar, não é fácil admitir que erramos, mas quando admitimos pra nós mesmos, o peso da culpa cai como um piano do décimo andar de um prédio e você está logo abaixo pronto (ou nem tão pronto) pra receber aquilo – tipo aqueles de desenhos animados mesmo. Muita vezes esse sentimento ocorre junto com baixa-autoestima e, se não for tratado, pode acabar evoluindo para raiva, depressão e até  mesmo levar ao suicídio.

A história se desenvolve a partir do momento que Shouya Ishida se dá mais uma chance. Mesmo no começo ele ainda tem um pé atrás se merece ou não ter uma amizade com Shouko Nashimya. Vale a pena conferir, é uma história linda sobre como o perdão pode ser algo libertador, que pessoas podem mudar pra melhor sim e como se amar e se auto-aceitar é a chave pra felicidade. Eu já assisti esse anime 4x e sempre que assisto aprendo coisas novas.

Ah, gostaria de fazer um breve comentário sobre o gráfico do filme, simplesmente maravilhoso! É um tanto aesthetic (como podem notar pela foto acima) o desfoque e a luz estão presentes em várias cenas deixando o filme com um tom único. Por coincidência ou não eu já assisti outro anime da Kyoto Animation (a mesma empresa que produziu esse filme), chamado Kyoukai no Kanata e sim, eles não deixam a desejar quando se trata de criar um gráfico simples, mas que chama atenção e se encaixa perfeitamente com a história do anime.

Well, esse post ficou mais profundo – e longo – do que eu esperava, mas é um filme pra gente refletir mesmo – então não pude evitar! HAHAHAH

 

Você pode assistir Koe No Katachi AQUI, AQUIAQUI!

 

Aqui foi a Usagi e corta!

 

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