SEO TAIJI AND BOYS – 25 anos de história

Annyeong! Na neun Moon-ieyo!

Quem é vivo sempre aparece, não é mesmo? E nada melhor do que voltar com novidade. Então, fiquem atentos porque toda terça-feira eu e a Alana estaremos trazendo pra vocês um belo post sobre os grupos mais relevantes de cada geração do k-pop. Assim nós estaremos trazendo à tona não somente músicas novas pra que os novos k-poppers possam conhecer, mas também a própria história do k-pop atual – já que os grupos atuais são completamente fundamentados nos grupos da primeira geração.

Vamos fazer em ordem cronológica e me sinto mais do que honrada em estar fazendo o primeiro post, falando sobre os reis do k-pop, pode entrar SEO TAIJI AND BOYS!

Não satisfeito em ser literalmente o fundador do k-pop, Seo Taiji também foi parte da primeira banda de heavy metal na Coreia, a Sinawe, criada em 1986 mas que teve seu “disband” em 1991 – entre aspas porque em 1995 um dos integrantes retomou a banda com uma nova formação, etc. Mas como é sem o Seo Taiji isso não nos interessa nesse post HAHAHAHA

Embora a vida particular de Seo Taiji não seja muito nítida – pois ele sempre manteve sua privacidade muito bem protegida -, sabemos que ele largou o colégio para seguir a carreira de músico (por volta dos 16 anos, antes da banda de heavy metal) por acreditar que o sistema era falho e frustrante. Isso se reflete em sua música e em suas letras até hoje.

Enfim, depois da Sinawe, ele mudou totalmente seu rumo e se juntou com Yang Hyunsuk (sim, gente, ninguém menos do que o Papa YG hahaha), que ficou deslumbrado com o tipo de música que Seo Taiji fazia, e Lee Juno, que era conhecido como um dos melhores dançarinos da Coreia do Sul.

O mais interessante sobre Seo Taiji and Boys é que eles literalmente criaram toda a base pro k-pop que conhecemos e consumimos hoje, porque antes deles a indústria da música era influenciada especialmente pela música folk japonesa e americana. A partir dos anos 90, eles começariam a usar a tecnologia MIDI para incorporar coisas mais ocidentais em suas músicas, elementos como rap, rock, e techno, eram coisas que nunca tinham visto antes.

Além disso, foram os primeiros a colocar frases em inglês em suas músicas, o que se tornaria uma tendência na Coreia do Sul e é algo que vemos até hoje, essa “hibridização” é a base da música pop coreana atual e uma das principais razões para sua popularidade, pois foi a partir disso que ela pode entrar no mercado estrangeiro, começando o que hoje a gente conhece como Onda Coreana (Onda Hallyu).

Não bastando isso tudo, Seo Taiji and Boys foram praticamente revolucionários no que se tratava das leis de censura e a hegemonia que havia nos canais de tv e na indústria da música no geral. Afinal, eles não tinham que depender dos canais de tv pelo fato de que Seo Taiji tinha seu próprio estúdio, o que começou a diminuir o poder que os canais tinham de ditar quando e quanto os artistas apareceriam em seus programas.

Foi em 11 de Abril de 1992 que eles tiveram seu debut num programa de talentos da MBC, com a música  “난 알아요” (Nan Arayo, “Eu sei”) que, apesar de ter recebido notas baixas do júri, conquistou o público coreano ficando em primeiro lugar por 17 semanas (recorde que só foi quebrado pelo Big Bang em 2008). Nan Arayo também recebeu um Golden Disc Award, foi listada pela Mnet em primeiro lugar na lista de “Legend 100 Songs”, foi considerada uma das “21 Maiores Canções de K-pop de todos os tempos” e em 2015 a Rolling Stone a elegeu como uma das “50 Maiores canções de boy bands de todos os tempos”. DÁ VONTADE NÉ, @?

Ah sim, e depois do disband do grupo, o Seo Taiji regravou essa música numa versão metal.

O primeiro álbum leva o mesmo nome do próprio grupo (e também todos os outros, mas a gente ignora essa falta de criatividade) e teve suas músicas compostas pelo próprio Seo Taiji e também Yang Hyunsuk, William B. e Angus Young. E em Abril de 1996, a Billboard registrou que o álbum havia vendido mais de 1,6 milhões de cópias. Temos que pensar que na época os grupos não viviam de views como hoje, então é realmente um número muito relevante.

Pessoalmente, Nan Arayo não faz muito o meu tipo de música, mas não dá pra negar que é boa, né nom?

O segundo álbum, lançado em 1993, foi um pouco diferente. Apesar da maioria das músicas serem predominantemente bem dançantes, algumas como “Hayeoga” (何如歌, “De qualquer maneira”) tinham elementos de rock pesado e além disso, enquanto promoviam o álbum, eles foram proibidos de se apresentarem em grupos de tv por usarem brincos, calças rasgadas e dreadlocks. Oi??????????

Esse álbum também recebeu um Golden Disc Awards e foi o primeiro a vender duas milhões de cópias na Coréia, mesmo com todo o escândalo.

Essa sim faz um pouco mais o meu estilo, me lembra até um pouco do estilo dos Raimundos HAHAHAHAH E a coreografia é muito legal, super me vejo fã deles nessa época. Uma coisa que acho muito legal e vou comentar aqui antes que eu esqueça, é o fato do Seo Taiji ser um idol que usa óculos. Claro que existem váaaarios idols míopes e etc, mas usar óculos no stage? Raríssimo, e o Seo Taiji tá lá sempre arrasando com os óculos redondos dele.

O terceiro álbum não foi menos polêmico, já que nesse as músicas dançantes eram quase que inexistentes – apenas uma, na verdade – 발해를 꿈꾸며 (“Dreaming of Balhae”, Sonho de Balhae) fala sobre a esperança de unir as duas Coreias novamente, e rendeu para eles o seu terceiro Golden Disc Award.

Porém, o centro das atenções foi 교실 이데아 (Kyoshil Idea, “Ideologia da Sala de Aula”), cheia de vocais guturais de Ahn Heungchan da banda Crash, e controversa por ser uma crítica ao sistema educacional coreano, a pressão colocada sobre a juventude para que conseguissem sucesso. A música foi banida dos rádios e tv, com o grupo sendo rotulado como “uma má influência para os jovens”.

E não bastando a própria letra da música ser polêmica, ainda houveram acusações de que o grupo estava retratando mensagens satânicas, e mesmo com os meios de comunicação provando que eram apenas acusações sem fundamento, o pânico moral não foi completamente esquecido.

Apesar de tudo, Seo Taiji and Boys III foi um álbum tão bem sucedido quanto os outros, tendo vendido mais de 1,5 milhões de cópias de acordo com a Billboard em Abril de 1996.

Mesmo com tantas polêmicas, Seo Taiji em Boys não parou por aí e lançou seu quarto álbum em Outubro de 1995, tendo ainda mais polêmicas dessa vez.

Come Back Home foi uma delas (sim, aquela que BTS fez uma versão recentemente hahahaha). É uma música beeeem gangster e fala da experiência do próprio Seo Taiji ao fugir de casa. Vale dar aquela olhada na letra! A música foi criticada por ser parecida com “Insane in the Brain” do Cypress Hill, mas um dos seus membros se pronunciou sobre o assunto e disse que “eles estavam tranquilos com porcarias como aquela”.

시대유감 (“Sidae Yugam”, “Vergonha dos Tempos”) foi rejeitada pelo Comitê Ético de Performances na Coreia (que são os caras que colocam a famosa censura nas músicas) porque criticava o governo. Seo Taiji se recusou a alterar a letra da música, e por isso o álbum tem apenas a versão instrumental. A reação dos fãs a isso não foi boa, e em 1996 o sistema de “pré-censura” foi abolido (em parte, graças a essa situação) e então foi lançado um EP com a versão original da música.

Foi o álbum mais vendido do grupo, com aproximadamente 2,4 milhões de cópias. #xorahaters HAHAHAHA

Infelizmente, em Janeiro de 1996 o grupo teve o famigerado disband durante o seu auge. Inclusive, de acordo com Lee Juno, Seo Taiji havia tomado essa decisão enquanto eles gravavam seu quarto álbum, para a surpresa de seus “Boys” e companheiros de grupo. Um álbum de compilação com as melhores músicas foi lançado naquele mesmo ano, o Goodbye Best Album. Seo Taiji viajou para os EUA e os outros dois abriram suas próprias gravadoras (que só uma acabou vingando, dá-lhe YG). E em 2007, os álbuns do grupo foram incluídos no top 100 álbuns de K-pop do Kyunghyang Shinmun.

Em 2014, no programa da JTBC “Newsroom” Seo Taiji falou em entrevista sobre uma possível reunião do SeoTaiji & Boys, mas nada para criar esperanças já que segundo ele “Nós conversamos entre nós muitas vezes sobre isto. O maior obstáculo é que, no passado, nós fizemos muitas performances belas, que os fãs se lembram, mas se voltarmos a ficar juntos agora, eu me preocupo que podemos decepcionar, por isso não estou confiante. Me falta confiança conforme envelheço. Eu não acho que eu seria capaz de dançar tão ferozmente como no passado.”

Seo Taiji acabou voltando para a indústria da música dois anos depois, e como sabemos foi muito bem sucedido, já que ele até foi nomeado como o “presidente da cultura” na Coreia do Sul. Que homem, gente! *sighs*

Em 1998, ele lançou o álbum Seo Tai Ji, o qual ele criou inteiramente sozinho, tocando os instrumentos e produzindo. O álbum foi lançado enquanto ele ainda vivia nos EUA, e mesmo sem qualquer promoção na Coreia, vendeu mais de 1,3 milhões de cópias.

Após um sumiço de quatro fucking anos, Seo voltou para a Coreia (2000), dessa vez com o álbum Ultramania. Houve muita empolgação dos fãs com seu retorno e Ultramania, Feel the Soul e Internet War foram os maiores hits daquele ano.

Seu “comeback” foi  no Fencing Stadium Olympic Park para cerca de 6 mil fãs. O álbum havia sido lançado no dia anterior, com as vendas estimadas em 900 mil em apenas dois dias.

Ultramania vendeu mais de 1,4 milhões de cópias e o single ganhou o MAMA como Best Band Performance.

Em 2004 ele manteve seu estilo nu-metal em seu terceiro álbum solo, 7th Issue. Segundo ele, esse álbum fala das dores das pessoas, coisas como discriminação sexual, a indústria da música e stalkers. E ao invés de tocar todos os instrumentos sozinho novamente, ele convocou alguns artistas japoneses dessa vez.

Seo Taiji também criou furor porque numa época em que a indústria musical coreana estava em baixa,  seu álbum vendeu 3 mil cópias só na pré-venda. Seu single “Live Wire” ganhou o MAMA como Best Rock Performance.

Mesmo tendo permanecido ativo em 2005 e sendo reconhecido pela Assembléia Nacional Coreana como o músico mais representativo dos anos 90, ele mais uma vez desapareceu dos holofotes.

Seo Taiji retornou para a Coreia depois de um longo tempo, apenas em 2008, lançando seu single “Moai”. Foi o primeiro do seu ambicioso projeto em três partes, um “projeto misterioso”. Em seguida, lançou o single de “Bermuda Triangle”, que foi um single digital. A terceira parte foi lançada no dia 10 de Março.

Houve uma promoção chamada “Missing Taiji”, onde haviam falsos rumores que Taiji havia desaparecido, apenas para retornar no dia do seu show “Wormhole”. Ele se apresentou em 2008 no festival que ele mesmo fundou para promover seu comeback, o ETPFEST, tocando junto com bandas como The Used, Death Cab for Cutie e Marilyn Manson.

Ele também performou no “The Great Seotaiji Symphony”, com a Orquestra Filarmonica Real e Tolga Kashif, suas músicas novas e antigas de uma forma completamente nova misturando rock e música clássica. Esse concerto foi realizado no Estádio Worldcup de Seul (capacidade atual para 66 mil pessoas!).

O segundo single foi liberado em 10 de Março de 2009 e o show foi realizado nos dias 14 e 15 do mesmo mês, tendo vendido completamente seus ingressos em APENAS 20 minutos.

O álbum de aniversário de 15 anos de Seo Taiji foi lançado numa versão limitada com apenas 15 mil cópias, cada uma com um número de série único. Os números de 1 a 5 foram comprados pelo próprio Seo, ficando com o 1 para si mesmo, dando o 2 e 3 para seus antigos companheiros de grupo e os outros para amigos próximos.

O álbum esgotou durante a pré-venda e no dia do lançamento oficial, com os fãs fazendo filas enormes do lado de fora das lojas para conseguir sua cópia. Seo Taiji foi criticado por estar usando a edição limitada do álbum como uma maneira de ganhar dinheiro de sua velha fama ao invés de tentar ajudar a revitalizar a indústria musical coreana. A resposta dele, meus amores? O cara simplesmente rebateu dizendo que isso reflete negativamente no cenário musical coreano, já que ele provou que é capaz de vender ingressos e álbuns baseando-se apenas na sua música, sem depender de aparições na TV.

GENTE, O QUE É ESSE HOMEM? HAHAHAHA Pisa mais, Seotaiji, eu imploro!

Já que as músicas (que foram re-gravadas e re-masterizadas) ficaram disponíveis apenas no álbum de aniversário e nem todos os fãs puderam comprar, ele decidiu re-lançar todos os álbuns contendo as novas versões. Os primeiros três álbuns de STAB foram lançados dia 3 de Abril, e seus outros álbuns foram lançados em 25 de Maio.

No final de 2013, Seo postou em seu site que estava trabalhando em seu novo álbum. Em Agosto de 2014, sete portas de segurança do metrô (aquelas de vidro que ficam na frente da plataforma, sabem? hahahah) da Linha 2 em Seul tinham a mensagem “We still are young. We have a decent future” / “Nós ainda somos jovens. Nós temos um futuro decente”, trecho da letra de Come Back Home. De acordo com a sua empresa, a intenção era dizer a seus fãs de 30-40 anos que o futuro deles ainda era brilhante como quando eram jovens. Mas que amorzão, gente. hahaha

Em Outubro de 2014 foi liberado o álbum Quiet Night. Foi liberado em duas partes: a primeira, uma participação com IU no dia 2 de Outubro e a segunda no dia 10. O álbum inteiro foi lançado apenas no dia 20.

소격동 (“Sogyeokdong”) foi produzida juntamente com a IU e foi sua primeira música a ser pré-lançada online desde seu debut. A primeira versão a ser liberada foi juntamente com a IU (inclusive sob o selo da empresa dela) ficando na posição 4 no Gaon Chart, e a versão solo do Seo saiu oito dias depois, ficando em 17 posição.

크리스말로윈 (“Christmalo.win”) é o outro single desse álbum, e o título é como uma junção de Christmas e Halloween (ok Seotaiji, você realmente se superou nessa). Ela é inspirada na famosa música “Santa Claus Is Coming to Town”, porém falando com aquela crítica social f*da típica do Seo Taiji hahaha Mais uma que também vale olhar a letra! A música ficou na sétima posição no Gaon Chart, vendendo cerca de 210 mil cópias digitais.

Dois dias antes do lançamento ocorreu o show de comeback no Seoul Olympic Stadium (capacidade pra cerca de 69 mil pessoas).

Além disso, Quiet Night ficou na segunda posição do Gaon Weekly Album Chart, vendeu mais de 42 mil cópias (sendo o 48 álbum mais vendido em 2014 na Coreia do Sul), além de entrar para lista de World Album Chart da Billboard na SEXTA posição. Isso em 2014, bicho, quando já tinham tantos outros artistas em alta. Que mito! hahahah

E no final de 2014, Seo saiu em turnê em cidades como Seul, Busan, Gwangju e Daegu, até Março de 2015.

(Por alguma razão os outros mvs não estão disponíveis)

Em Abril desse ano, nosso querido Seo Taiji anunciou que iria reunir alguns grupos da “nova geração” do kpop para regravar seus maiores hits, em comemoração aos seus 25 anos de carreira. Os primeiros a serem anunciados foram o BTS, com o cover de Come Back Home, que foi liberado no dia 5 de Junho. Outros artistas convidados foram Urban Zakapa, Suran, Crush, Heize, Loopy, Nafla, Eddy Kim e Younha.

Foi simplesmente uma jogada genial, como eu e a Alana estávamos comentando. Afinal, se ele tivesse simplesmente lançado novas versões, não faria todo esse sucesso visto que a popularidade dele caiu. Então ele pegou alguns dos mais populares (e começando com o BTS, que juntamente com o EXO é o grupo mais conhecido hoje na Coreia e também no mundo) e liberou novas versões das músicas e novos mvs. Gênio, simplesmente.

E não bastando isso, Seo também realizou um show no dia 2 de Setembro no Jamsil Sports Complex (capacidade para cerca de 69 mil pessoas) juntamente com todos esses artistas.

Ai gente, um artista é um artista, né? Comecei o post sabendo que o Seo era incrível e agora finalizo sendo a maior fangirl dele, tô apaixonada hahaha Seo Taiji revolucionou a indústria musical na Coreia, tudo o que conhecemos no k-pop hoje em dia é fundamentado nele e nos que o sucederam nos anos seguintes. É importante que, além de apoiar e curtir muito nosso som, coreografias e idols, a gente aprecie e conheça o início disso tudo. E esse é o intuito desses posts: junto com a Alana, apresentar grupos antigos pra vocês, afinal, o kpop é bom em todos os cantinhos hahaha <3 

É isso pessoal, até a próxima!

Chu~~

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